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Tuesday, November 03, 2009
Fim

És ridículo. Não te conheço já. Nunca mais te atrevas sequer a pensar que eu sou a mulher da tua vida, muito menos a dizê-lo. Na minha vida morreste hoje.


Sara

Posted at 02:38 pm by Haelvemaen
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Não vou escrever para não ter de o dizer. Não vou calar por o orgulho o mandar. Não vou guardar o que quero expandir. Não vou ficar se me olhares e honestamente me quiseres ver sair. Não vou escrever até parar de doer. Não quero que não o saibas, quero gritar.


Sara

Posted at 02:36 pm by Haelvemaen
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Thursday, October 29, 2009
Diz-me que me amas e que vai ficar tudo bem no fim. Não consigo continuar sem ti. Sara

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Posted at 02:35 pm by Haelvemaen
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Wednesday, October 28, 2009
Take the plan spin it sideways

Quero tanto lutar.
Levantar-me agora, correr e pegar nas chaves... Entrar no carro e conduzir, voar até aí... Entrar no alpendre freneticamente, bater com força à porta, espantar toda a gente, ver-te descer as escadas estremunhado, dizer-te que quero ficar contigo, que deixes tudo o que tens, porque o que há entre nós existe, e é real, e podemos construir tudo de novo, e voltar a ser como era. Lavar-nos de mágoas, esquecer que nos entregámos antes, conhecer-te outra vez, reconhecer-te. Recomeçar, reunir, unificar, ver-te como novo, como não foste, como não vi.
Agarrar-te, um outro tu, ficar imóvel durante horas assim.
Amanhecer assim.
Olhares-me da mesma forma, arrependeres-te, iludires-te outra vez, apaixonares-te e ficarmos assim. Para sempre. Como foi desde logo definido.

Arrependo-me do que disse, do que escrevo. Quero-te aqui com todas as forças que tenho. Dói muito André.


Sara

Posted at 02:29 pm by Haelvemaen
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Monday, October 19, 2009
"Transforma o fraco em coisa forte porque tudo se renova... tudo se renova... tudo se renova... tudo se renova... Dentro de mim."

Sonhar ficar suspensa assim, por uma linha imaginária. A preto e branco, numa ausência de som. Um filme antigo, uma fita gasta de ser vista e revista inúmeras vezes. Os traços indefinidos, as personagens cansadas, curvadas e em voltas constantes, braços ao longo do corpo e tombando em movimentos circulares.
Luz, parca. Apenas sombras de holofotes, sensação de espaço e eco, como se de uma oficina se tratasse.
Ao fundo um trapézio alto, para o caso de apetecer voar, fingir cair, balançar no vácuo. Por baixo em linha recta uma poltrona de pele rasgada, uma mesa com uma moldura e uma fotografia inexpressiva.
Se um dia quiseres voltar aqui, deixo-te assim, dentro deste retrato para que te consumam as horas e os dias, enquanto olhas o tecto.
Bem sei que aí onde estás não existem cordas, trapézio ou balanço. Só vácuo.



Sara

Posted at 11:11 am by Haelvemaen
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Thursday, October 15, 2009
pas cap

O meu corpo vagueia translucido pela cidade.
Reconheço rostos que sorriem amigavelmente em tom de reconhecimento, perco-me tristemente nesses momentos. Três passos na calçada irregular e respiro fundo.
Os sítios que conheço tornaram-se sujos e impessoais, amo-os mas temo regressar sempre de todas as vezes. Usados, gastos, hábitos de pessoas que os violam e perco mais um pouco da minha inocência.
Deitar-me no chão, percorrerem-me palavras e sons que não são meus mas que ficam em mim.
Deixar-me assim para sempre, indefinidamente, sem tempo sem lugar, transparente e imóvel.
Abstrair-me de toda a hipocrisia que me invade e da qual eu corro e fujo.
Esquecer-me de tudo, esquecer e enganar-me, tentando recuperar dentro daquilo que sou apenas aquilo com que quero ficar.
Abomino-te, enoja-me o teu corpo, a tua alma podre, a tua ignorância, a apatia que te enche, o rosto morto. O teu perfil vazio.
Quero sair de mim ao pensar que te desejo ter, quero apagar a minha memória de ti, esquecer que alguma vez te conheci.


Sara

Posted at 05:28 pm by Haelvemaen
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Monday, October 12, 2009
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Hoje, e só agora, tive a certeza que não vais voltar.
Já vi outrora o mesmo ritual, os mesmos versos, a mesma angústia.
Inexistência. Falta de memória, perspectiva, ambiente e nós.
Um dia não estarei aqui, como hoje não estás nem vais estar. Hoje sei, com toda a certeza do mundo, de tudo aquilo que recordo.
Do pouco que lembro. Não estarei aqui.



Sara

Posted at 11:24 am by Haelvemaen
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Wednesday, October 07, 2009
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Consigo olhar as coisas através de outras perspectivas. Pergunto repetidamente, sem obter resposta, acerca do momento em que perdemos o controle sobre a nossa vida.
Todos os hábitos e gestos têm um travo amargo, os risos agridoce, pouco ou nulo é já o sabor de viver inteiramente.
Qual foi o momento de largar? Qual agora o momento exacto...
Perspectivar e ambicionar novos encontros, outros, diferentes, não melhores. Falhanços e gestos propositados.
És verdadeiramente feliz agora?
Invejo tanto a tua posição de escolha... Sempre soubeste que sim. Mas também sabes que ainda que não soubesse onde estás, iria sempre sentir a tua ausência. Onde quer que estejas agora. Quem sabe é este o momento de soltar... Espero que alguém te consiga dar tudo aquilo que eu sempre quis e de alguma forma, por ser quem sou, não pude. Espero que te ame mais que aquilo que eu soube, ainda que não mais do que te amei.
Mas mais que tudo espero que esse momento chegue apenas quando também eu descobrir alguém novo, totalmente novo, e duvido que esse dia vá chegar.


Sara

Posted at 11:06 am by Haelvemaen
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Friday, October 02, 2009
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"Will you come home and stop this pain tonight? Stop this pain tonight."

Passou tanto tempo desde que sinto a sensação de eternidade contigo, que hoje o tempo custa a passar.
A eternidade é sempre o caminho mais fácil, mesmo quando achámos que não, ainda sentindo por vezes a rotina sobre nós.
Eternidade não é rotina.
Amor não é hábito.
Qual foi o momento em que decidimos que não desejávamos o mesmo? Como é que se consideram afastamentos tímidos e curtos, quando se quer ficar para sempre?
Não consigo conceber maior vontade de estar com alguém do que quando estive contigo.
E o tempo custa e pesa-me...
Sinto todo o peso sobre mim neste preciso momento. Como se pudesse olhar o relógio e tivesse a alucinação de ver os ponteiros abrandar. E horas depois ainda estar aqui. No ninho.
Vontade de hibernar, de migrar para longe, de desnascer. Fosse tudo mais fácil como foi outrora, não tivesse de escolher sempre. Pudesse eu escolher agora que me soube querer-te sempre e por vezes esquecer e julgar que não.
Duvido que alguém te ame com mais força que esta que tenho... E se um dia perguntarem quem fui, como foi a minha vida e questionarem os meus feitos, não sei o que responderão, sei apenas que estiveste presente sempre, mesmo quando decidiste não mais voltar.
Receio ter de te esperar, engolir em seco, perder um pouco mais de mim, renunciar todas as decisões certas e escolher as menos sensatas.
Quando voltar sei querer não estar aqui, sei que vou esperar, não sei se vai ser igual.
Tenho medo por esse dia.
O dia em que o corpo morrer em conjunto com o resto, o dia em que acordes e saibas que não foi nada disto que quiseste, porque me vais amar.
Ainda prevejo esse dia, e como será ver-te. Sei que eu tenho já o olhar ferido de sangue e temo não sarar.



Sara

Posted at 02:02 pm by Haelvemaen
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Monday, September 28, 2009
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Lençóis de lavado. O teu cheiro permanece.
Afastas-te de tudo o que te pertence, com receios, movido de rumores e confusão.
Queres-te onde não estás. Eu não ficarei aqui guardando ilusões e memórias pouco lúcidas.
Um dia sei-me chegar a algum lugar onde estarei eu, e só.
Quero-me aí, intemporal e consistente, fora de lutas de palavras e gestos de traição.
Surpreendes-te afinal. Não a mim, possivelmente só a ti próprio enquanto te sentes capaz.
Sei que um dia desmoronará.
Aconteceu comigo e não trouxe a rede para saltar. Fico suspensa no ar.
Flutuando deixo-me cair, e cá de baixo já, sorrirei quando te olhar para cima, vais acenar-me e agarrar outras mãos.
Mas no dia em que deres por ti a cair, já vai ser tarde e o pára-quedas não abrirá.



Sara

Posted at 01:56 pm by Haelvemaen
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